quinta-feira, maio 31, 2007

UM PROJECTO MUITO INTERESSANTE

"Para terem uma ideia eu tenho 23 anos de banda e já em 1986 juntamos um grupo de jovens que decidiu adquirir um instrumental, organizando festas e outras actividades. Com muito boa vontade, arranjamos algum dinheiro e conseguimos que os músicos oferecessem um ou dois anos as suas compensações monetárias da Banda. Na altura foi assim, uma coisa do outro mundo...", extraido de uma entrevista do Presidente da ARMAB (Banda Amigos da Branca). Uma entrevista muito interessante leiam e digam o que acham. Cliquem no link. http://www.bandasfilarmonicas.com/entrevistas.php?id=44

quarta-feira, maio 30, 2007

TODA A VERDADE - O horror o medo em directo

Fragoso 2007, foto reportagem

Como o prometido é devido cá estou eu com a reportagem da presença da nossa Banda nas festas de Fragoso.

Depois de algum stress inicial por uma mera confusão de horários, que foi reparada pela direcção, a nossa banda apresentou-se num grande nível, proporcionado em conjunto com a Banda Amigos da Branca grandes momentos de harmonia musical.
Penso que o convite e a presença da nossa Banda nestas festas foram uma confirmação da qualidade da mesma. Até bem pouco tempo estas festas estavam arredadas do nosso calendário. Elas não apareceram por acaso, mas fruto do empenho da direcção, maestro mas sobretudo dos Músicos, que elevam dia a dia a qualidade da nossa banda; se isto não fosse verdade não estaríamos presentes nas referidas festas pois é sabido o grau de exigência, a todos os níveis, que organização coloca nas mesmas.
Uma palavra de admiração para outra banda, que para alem de proporcionar um bom concerto e um bom “despique”, demonstrou já ter uma estrutura organizativa bastante equilibrada. Penso que estas duas bandas são exemplos e tem que aprender bastante uma com a outra.
Pena foi o pouco público, em comparação com o ano passado, que presenciou o concerto da noite.

Ficam aqui as fotos e algumas impressões sobre estas festas!!!

PS: foto reportagem por Duarte Ferreira & Paulo Alves

terça-feira, maio 29, 2007

Fragoso 2007, o video

Como é sabido no último fim-de-semana a nossa Banda espalhou por terras de Fragoso todo o seu encanto deliciando os presentes com a sua música.
A Banda Amigos da Branca acompanhou-nos, e muito bem, nestas festas.
Fiquem com um pequeno vídeo da marcha de concerto “Manuel Sequeira”, uma pequena grande homenagem do nosso maestro ao seu pai, que por certo encantou os presentes.
A foto reportagem estará disponível amanhã!!!


quinta-feira, maio 24, 2007


De 15 a 17 de Junho, na Covilhã19.Mai.2007MasterClass de clarinete com António Saiote

Entre 15 e 17 de Junho próximo, terá lugar na Covilhã uma Master Class de clarinete com aquela que será, provavelmente, a principal referência no domínio do clarinete em Portugal, tendo mesmo criado “escola” neste domínio. Nem mais nem menos que o prof. e maestro
António Saiote.Trata-se de um evento organizado pelo Conservatório Regional de Música da Covilhã que, desta forma, proporciona uma oportunidade única aos clarinetistas daquela região do país. Para quando uma iniciativa deste género na nossa Banda?

À atenção dos nossos compositores

À atenção dos nossos compositores24.Mai.2007Concurso de composição “Harelbeke City of Music 2007-2008”

Está já em andamento o 3º Concurso de Composição Filarmónica da Cidade belga de Harelbeke, “Harelbeke City of Music 2007-2008”.Esta é mais uma oportunidade para os nossos compositores que, cada vez em maior número, vão dando provas de grande capacidade e mérito, reconhecido já internacionalmente.Todos os pormenores relativos a este concurso poderão ser obtidos em www.bandasfilarmonicas.com

segunda-feira, maio 21, 2007

A improvisação (continuação)

“ ils improvisent…improvisez…improvisons…”

O artigo “ ils improvisent…improvisez…improvisons…” de Vinko Globokar editado na revista “musique en jeu” fala sobre vários aspectos a ter em conta na música improvisada.

O autor divide o artigo em quatro partes: Aleatório e Improvisação, O Papel do Compositor, A Utilização de Instrumentos e Música Improvisada e Música Contemporânea

Aleatório e Improvisação

O intérprete tem uma parte de responsabilidade cada vez mais importante na composição; vai lendo as indicações do compositor – música baseada em símbolos, de reacções psicológicas ou textos verbais – o que leva frequentemente à improvisação. Trata-se de uma improvisação controlada pelo compositor onde o intérprete não faz mais do que executar uma tarefa.

As razões pelas quais, um músico quer improvisar prendem-se com a necessidade de libertação, procura de uma nova estética musical, provocação, desejo de trabalhar colectivamente, pesquisa instrumental, compromisso político ou social, desejo de pertencer a uma elite capaz de improvisar, uma forma de enriquecimento pessoal, uma forma de expressão não só através de sons mas também pelo comportamento psíquico, necessidade de criar um contacto com o público, desejo de dar largas à imaginação.

As explicações, relativas a este assunto pelas pessoas que improvisam, são subjectivas e emocionais; preferimos falar de sensações e não de razões.
Com o decorrer dos anos, formaram-se alguns grupos de improvisação cuja postura demonstrou algumas tendências claras e definidas.
Vinko Globokar distingue o grupo cujos objectivos são políticos e sociais, pois inclui e aceita a participação do público sem qualquer restrição. Não há regras e o grupo sabe porque toca, ou pelo menos sabe porque quer tocar. O segundo grupo organiza reuniões, em que cada um leva os seus instrumentos ou objectos; decide-se um tema ou história e improvisa-se sobre isso. O resultado sonoro difere nos dois grupos, para o primeiro grupo é secundário enquanto para o segundo, o controlo do resultado sonoro é o principal objectivo.

O Papel do Compositor

Na música improvisada, na maioria dos casos, é em volta do compositor que se forma o grupo de improvisação. O compositor tem o papel de organizar grupos de improvisação que possam transformar a sua obra. Os meios que utiliza para canalizar a improvisação, são na maior parte das vezes através de indicações verbais ou desenhos, e raramente notação musical. O próprio compositor ou o grupo podem programar uma forma, deixando a criação do material sonoro aos participantes. Estes, por sua vez, preenchem o tempo com sons inventados. “Il se produit pourtant un phénomène négatif:” os executantes são incapazes de inventar realmente quando se pede que improvisem num quadro mais ou menos limitado. Mesmo as pessoas dotadas de um grande poder de invenção não fazem mais do que utilizar o seu reportório de hábitos instrumentais, de clichés pessoais, de estruturas memorizadas.
Com um tempo de reflexão ilimitado, o acto de inventar é sobretudo um trabalho racional, onde se elimina as ideias mais superficiais; no acto de improvisar, o tempo de reflexão reduz – se ao mínimo, sendo a invenção mais instintiva e intuitiva, e não racional.
“D`autre part, la question : « à qui appartient cette musique où le compositeur projette l`idée générale, mais où les exécutants doivent improviser le détail ?»”

Quando o executante decide juntar-se a um grupo para comunicar, deixa de ser completamente livre, pois vai estar intimamente ligado aos outros executantes, o que implica muita tolerância e compreensão entre eles. “La tolérance n`est pas une position contemplative, dispensant les indulgences à ce qui fut ou ce qui est. C`est une attitude dynamique, qui consiste à prévoir, à comprendre et à promouvoir ce qui veut être”(Claude Lévi-Strauss).
O improvisador pode associar-se a uma preposição que acha interessante; destruir uma situação se a achar banal ou repisada; imitar; opor ou propor uma nova ideia, que será aceite, destruída, desenvolvida ou recusada pelos outros.
Para que o trabalho resulte tem que haver uma profunda amizade, respeito mútuo, discussão aberta dos problemas não somente musicais, mas sobretudo humanos, que os preocupam.

A Utilização de Instrumentos


Podemos imaginar facilmente que um conhecimento aprofundado do instrumento é necessário, mas só por si não chega. Os problemas que aparecem são sobretudo de ordem «composicional». O intérprete toca uma música que ainda não existe e quando ganha algumas experiências, aprende a reagir, a inventar, a tomar a iniciativa, a deixar-se influenciar e a tomar a responsabilidade total de tudo o que produz.
Transforma o seu instrumento, inventa novos timbres e articulações que fazem lembrar outros instrumentos.

Música Improvisada e Música Contemporânea

As diferenças entre a música improvisada e a música contemporânea são sobretudo em relação à forma. Sendo a música contemporânea um produto intelectual e a música improvisada impossível de ser exactamente consciente com passagens entre acção/reacção, simples/complexo, tensão/distensão a desenvolverem-se progressivamente e não de maneira abrupta, a forma da improvisação livre acaba por ser simples.
Através deste tipo de música, o homem faz um apelo intenso a todas as suas faculdades, não só musicais, mas sobretudo psicológicas.

Conclusão

Há culturas, como a Índia do Norte e o Irão, onde não há separação entre o músico executante e o improvisador: todo músico improvisa – seja sobre regras estritamente determinadas, seja como parte de um ritual de meditação.
Improvisar é inventar, e está sujeito aos riscos de qualquer invenção.
" Quando se assume qualquer possibilidade humana de ser e fazer, necessariamente assume-se um risco. [...] Fora do risco não há criação artística, científica, criação de espécie alguma. Faz parte de todo o movimento criador o risco de não ser, de se distorcer no meio do caminho.” (Paulo Freire)

Evitar o risco é resignar-se a repetir o que já foi feito, é conformar-se com a impossibilidade de romper horizontes.

quarta-feira, maio 16, 2007

Improvisação

Conforme tinha prometido, aqui fica o post com uma parte de mais um trabalho do Prof. Marco Pereira. Desta vez, o tema é a "Improvisação" e surge do interesse pelo artigo “Réagir”, publicado na revista “musique en jeu” nº1 (1770) da autoria de Vinko Globokar. Neste trabalho o Prof. Marco Pereira procede a uma contextualização histórica do termo musical improvisação, a uma descrição do trajecto musical de Vinko Globokar e à análise do seu artigo “Ils improvisent… Improvisez… Improvisons…”.



A Improvisação trata-se da capacidade que certos músicos possuem de poder integrar-se num determinado sistema musical, mantendo a estrutura essencial do trecho, e tocar notas que não foram previamente escritas pelo compositor. Trata-se de em tempo real, no exacto momento em que se toca executar variações em torno de algo que serve de base.
“[…]a improvisação é uma actividade submetida a certas regras que se relacionam tanto ao nível interpretativo (aspectos técnicos e expressivos da execução) como à capacidade criativa (que determina a selecção, organização e manejo dos materiais musicais) do músico que a realiza". (La improvisacion musical - Violeta Hemsy de Gainza – 1986)

Actualmente o termo improvisação é frequentemente associado ao Jazz. No entanto a improvisação sempre existiu, mesmo nos primeiros géneros musicais classificados como música erudita. A improvisação está presente nos melismas da Idade Média. Na Renascença e após a notificação da escrita musical, a improvisação fazia-se em quadros precisos. A época Renascentista vê a arte instrumental tentar acompanhar a arte vocal e numerosos compositores irão publicar versões ornamentadas de peças vocais. É sobretudo na época barroca que a ornamentação improvisada tem um grande destaque principalmente em instrumentos como o alaúde e o cravo, onde fazia parte do trabalho normal do intérprete saber improvisar. Os cantores deveriam saber praticar esta arte, de forma a poderem ornamentar a repetição de uma ária da capo. Também na música dos períodos clássico e romântico os compositores deixavam espaços reservados para a livre criação do intérprete (as cadenzas). “No início do século XX, …, a improvisação far-se-á notar sobretudo pela sua utilização intensiva e quase obrigatória pelos jazzmen americanos […] (Frédéric Platzer, Compêndio de música, edições 70, pg. 108).


Vinko Globokar


Vinko Globokar nasceu em Anderny (França) a 7 de Julho de 1934, mas foi na Jugoslavia onde viveu entre 1947 e 1955 que surge como trombonista de jazz. Faz os seus estudos no Conservatório Nacional Superior de Paris e mantém uma actividade de Trombonista solista. Globokar suscita a criação de toda uma literatura contemporânea de trombone e um vasto número de obras a ele dedicadas. Paralelamente estuda composição e direcção de orquestra com René Leibowitz e Luciano Berio. Estreou obras de Luciano Berio, Mauricio Kagel, Karlheinz Stockhausen, René Leibowitz, Louis Andriessen, Toru Takemitsu e como maestro trabalhou com orquestras como Westdeutscher Rundfunk, Radio France, Radio Helsinki, Radio Ljubljana, e orquestras filarmónicas de Warsaw e Jerusalém.
Compôs a sua primeira obra (Voie) com trinta anos de idade e possui actualmente um catálogo de cerca de sessenta composições de vários géneros entre os quais, para orquestra, coro solistas e teatro musical. Como compositor Globokar é dificilmente classificável. Ele compõe obras centradas sobre o repertório para voz e instrumento (Discours II à VIII) ou do texto à musica (Voie, Kolo). Por outro lado ele interessa-se pelo potencial inventivo do interprete, convidando-o a criar colectivamente (Concerto Grosso, Individuum/Collectivum). Paralelamente ele compôs obras musicais caracterizadas por vários elementos teatrais. Em determinadas obras ele ataca os problemas de ordem social (Les Emigrés, L'Armonia Drammatica). Para compor ele inspira-se sobre questões situadas em redor da música, politicas sociais e humanistas, inventando novas técnicas, materiais e formas de apresentação. Ele considera que todo o modelo de organização existente na natureza ou na cultura podem, pode advir música.
Para Globokar um instrumento significa uma extensão dos seus desejos musicais, através do trombone ele respira, canta e fala simultaneamente.
"The function of music has changed, the tonal language has decayed in the last two centuries and there is no point in reviving it. There's no way back, today's world cannot be described with beautiful melodies.”



(continua)


(*Pintura de Kandinsky - "Improvisação")

terça-feira, maio 15, 2007

Exposição de Instrumentos Musicais


No próximo sábado, dia 19 de Maio de 2007,a partir das 10h00 irá decorrer na Casa da Música de Antas uma exposição de instrumentos promovida pela "Castelo de Música - Instrumentos Musicais", uma loja de instrumentos com sede em Castelo de Paiva.
Visitem!

Contactos "Castelo de Música"
Tel/Fax: 255696201
Email:castelodemusica@gmail.com

segunda-feira, maio 14, 2007

Festas das Rosas....Molhadas


S.Pedro não ajudou em nada no arranque oficial da época musical da nossa Banda e brindou-nos com uma forte chuvada nas Festas das Rosas, em Vila Franca do Lima.
Para quem não tinha arejado as fardas foi uma óptima oportunidade para as lavar. De facto, o ponto alto das festas seria a procissão com os vários cestos floridos, os quais já são o ex-libris daquelas paragens, mas o tempo não esteve nada favorável para o desfile.
É de salientar que estas festividades são das maiores realizadas no concelho da "princesa do Lima" e são visitadas por inúmeras pessoas que gostam de admirar o trabalho minucioso de adorno de cestos floridos que são transportados por jovens da freguesia. Estas festas marcam, também, o início das várias "romarias minhotas" que se prolongam até finais de Setembro.
De qualquer modo, durante a tarde ainda foi possível às duas bandas (BBVE e Banda de Monção) realizarem o "concerto da tarde" com um reportório variado.
E a chuva só aliviou na hora da despedida para o cortejo das mordomas e para o "novo formato" de despedidas (como alguém dizia).
A comissão organizadora das festas ouviu o hino das Festas das Rosas pelas duas bandas, mas por esta altura já estava tudo de "ouvidos postos" no futebol, e em jeito de prece ou não, houve quem tentasse a vénia...
Bem, de qualquer modo vamos aguardar pela crónica com fotos que terá muito mais interesse.

sábado, maio 12, 2007

Parabéns para seu primeiro ano.

É de louvar seu aparecimento no nosso meio, graças a sua fundadora e nossa grande amiga Manuela Cunha que com muito amor e carinho deu a" luz "este blog para informar e dialogar sobre muitos aspectos relacionados com a nossa banda e com varios outros aspectos interligados a mesma .
Não tendo o dão de palrear, deixo aqui uma mensagem de sucesso para ela e para a banda e muitos anos felizes para o nosso blog.
Para acabar deixo aqui uma definição da Música em portugal pala visão de estudantes da Universidade Aberta:


Curiosa a definição encontrada no site da Universidade Aberta, sobre a História da Música Portuguesa e na parte relativa à Música de origem profana: "Os mais antigos espécimes de música que se conhecem são canções com textos latinos, conhecidas como "canções dos goliardos", dos séc. XI e XII.
São canções monofónicas (monodias) que se pensa haverem sido cantadas por estudantes ou por clérigos ambulantes. Um outro tipo de canção monofónica era o "conductus" (séc. XII e XIII). Os "conductus" poderão ter sido cantados nos momentos em que um clérigo ou outro membro representando um drama litúrgico se deslocavam de um local para outro (conducto = conduzido).
O "conductus" representa, à época, a fragilidade da fronteira entre música sacra e música secular, uma vez que era utilizado indistintamente tanto em actos religiosos como em festas seculares, utilizando-se o termo "conductus" para qualquer canção latina, quer sagrada quer profana. As "Canções de Gesta" são, por sua vez, um dos tipos mais antigos de canção que se conhece em língua vernácula. Cantadas pelos jograis, versavam os feitos dos heróis e eram transmitidas oralmente (a "Canção de Rolando", datada da segunda metade do séc. XI, é a mais famosa das "canções de gesta").
Com origem no Sul de França, surgem, mais tarde, as cantigas trovadorescas. Escritas inicialmente em provençal (langue d'oc), inspiravam-se na cultura mourisca hibérica e difundiram-se não só para a Península Ibérica como para outras regiões, tais como a região de Champagne e a Artésia (Alemanha). Admite-se que o termo "trovar" tenha origem em "tropar" isto é, realizar "tropos".
Estes, tal como as anteriormente referidas "sequências", derivando da prática eclesiástica, consistiam em intercalar melodias nos textos litúrgicos. As cantigas trovadorescas tiveram uma importância particular no nosso território durante um período temporal relativamente extenso (de João Soares de Paiva, 1140, primeiro trovador galaico-português de que existe referência, a D. Pedro, Conde de Barcelos, 1374, o último)." Concluí-se por tal, da importância da música profana e no caso específico, de origem Goliarda na Península Ibérica, com clara influência posterior naquilo a que se chamou de "Tuna". Ou seja, a Tuna de facto tem origens musicais claras na música profana dos Séculos XI e XII. Mais que isso, a música de origem trovadoresca é importante enquanto génese da musicalidade tunante, seja em Espanha ou em Portugal, como se percebe atrás.

sexta-feira, maio 11, 2007

PARABÉNS AO BLOG!!!



Talvez ninguém tenha reparado, mas faz hoje um ano que este "estaminé" foi criado.O blog também faz anos e por isso faz todo o sentido assinalar a data.Um pequeno espaço, mas uma intenção muito grande de reunir informação diversa, principalmente acerca da nossa Banda de Música.

E-mail Interessante

No meio de todos os e-mails que recebemos e enviamos há alguns que nos prendem mais a atenção. Aqui está um, que a ser verdade, tem uma mensagem interessante.

Violinista famoso toca incógnito num estação de metro

Numa experiência inédita, Joshua Bell, um dos mais famosos violinistas do Mundo, tocou incógnito durante 45 minutos, numa estação de metro de Washington, de manhã, em hora de ponta, despertando pouca ou nenhuma atenção. A provocatória iniciativa foi da responsabilidade do jornal "Washington Post", que pretendeu lançar um debate sobre arte, beleza e contextos. Ninguém reparou também que o violinista tocava com um Stradivarius de 1713 - que vale 3,5 milhões de dólares.

Três dias antes, Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam 100 dólares, mas na estação de metro foi ostensivamente ignorado pela maioria.

A excepção foram as crianças, que, inevitavelmente, e perante a oposição do pai ou da mãe, queriam parar para escutar Bell, algo que, diz o jornal, indicará que todos nascemos com poesia e esta é depois, lentamente, sufocada dentro de todos nós.



"Foi estranho ser ignorado"

Bell, que é uma espécie de 'sex symbol' da clássica, vestido de jeans, t-shirt e boné de basebol, interpretou "Chaconne", de Bach, que é, na sua opinião, "uma das maiores peças musicais de sempre, mas também um dos grandes sucessos da história". Executou ainda "Ave Maria", de Schubert, e "Estrellita", de Manuel Ponce - mas a indiferença foi quase total.

Esse facto, aparentemente, não impressionou os utentes do metro. "Foi uma sensação muito estranha ver que as pessoas me ignoravam", disse Bell, habituado ao aplauso. "Num concerto, fico irritado se alguém tosse ou se um telemóvel toca. Mas no metro as minhas expectativas diminuíram. Fiquei agradecido pelo mínimo reconhecimento, mesmo um simples olhar", acrescentou.

O sucedido motiva o debate foi este um caso de "pérolas a porcos"? É a beleza um facto objectivo que se pode medir ou tão-só uma opinião? Mark Leitahuse, director da Galeria Nacional de Arte, não se surpreende: "A arte tem de estar em contexto". E dá um exemplo: "Se tirarmos uma pintura famosa de um museu e a colocarmos num restaurante, ninguém a notará".

Para outros, como o escritor John Lane, a experiência indica a "perda da capacidade de se apreciar a beleza". O escritor disse ao "Washington Post" que isto não significa que "as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas sim que ela deixou de ser relevante".


href="http://www.youtube.com/watch?v=hnOPu0_YWhw

quarta-feira, maio 09, 2007

Reprodução Cultural e Reprodução Social - Pierre Bourdieu (Comentário)



Para uma leitura mais alargada, fica a postagem do conteúdo de um trabalho realizado pelo Professor Marco Pereira (professor de flauta na Escola de Música da BBVE), inserido na temática de Sociologia da Educação. Publicaremos, ainda, um outro trabalho relacionado com a Improvisação.


O ser humano é desde a sua existência parte integrante e activa de um meio social, onde maneiras de falar, pensar e actuar, interagem. O percurso individual de cada pessoa está intimamente relacionado com as escolhas que o nosso meio nos proporciona.
O estudo realizado por Pierre Bourdieu demonstra de forma clara e objectiva que não se pode dissociar a relação função de reprodução cultural/reprodução social.
Segundo Bourdieu, para se adquirir o legado cultural das gerações anteriores, é necessário possuir meios de apropriação e decifração cultural. É no seio familiar que primeiramente o indivíduo toma ou não posse destes meios, conhecimentos e técnicas preponderantes para que mais tarde o ensino seja mais ou menos eficaz. Assim a família tem um importante papel, para que no primeiro dia de aulas, a criança esteja na posse de todos os meios, de forma a adquirir os conhecimentos que lhe sejam transmitidos, bem como a escola, deve atenuar as desigualdades que surjam das diferentes educações familiares.
Apesar disso, é evidente que as famílias pertencentes a classes consumidoras de bens culturais, na posse do poder económico e investidoras da maioria do capital no mercado escolar, proporcionam ao indivíduo um maior acesso aos instrumentos de decifração e apropriação dos códigos culturais.
Verifica-se que a frequência de determinadas práticas culturais como leitura, frequência do teatro e de salas de concerto, é maior ou menor consoante o grau de educação. Sendo assim as classes com maior poder económico, são as que mais investem no ensino e na cultura, produzindo de geração para geração uma maior desigualdade cultural e económica.
Este ciclo vicioso que faz com que o capital cultural retorne ao capital cultural, não impede que determinados indivíduos provenientes de classes inferiores se movam com sucesso dentro destes ciclos culturais e sociais, ainda que com maior dificuldade. Visto que a motivação que leva o cidadão das classes média e baixa a ascender no meio social não é a mesma que induz o indivíduo da classe dominante a se manter na mesma.
Verifica-se que nos dias de hoje, aproximadamente quatro décadas após a conclusão do trabalho do autor, a realidade é muito diferente. O desenvolvimento dos meios de comunicação social e o seu fácil acesso e o aparecimento da Internet tiveram um importante papel no desenvolvimento cultural de toda a sociedade e actualmente verifica-se que o acesso ao ensino superior aumentou de forma massiva.
No entanto é de salientar que o número de jovens habilitados com formação superior aumenta, à medida que aumenta o desemprego dos mesmos, enquanto que outros trabalham em condições precárias. Ou seja, mais formação não implica mais capital e poder económico.
Verifico desta forma que o acesso à cultura e aos meios de apropriação da mesma teve uma grande evolução na sociedade em geral. Apesar disso, o monopólio e a rentabilização da cultura continua a pertencer a quem tem o poder económico e o monopólio do mercado de trabalho, continuando conclusivamente a desigualdade social ainda que diferente da existente nos anos setenta.


www.marcojtpereira.wordpress.com